Esportes 5 meses atrás

A força dos e-sports nas fotos de Pedro Pavanato

Fotógrafo fala sobre começo da sua carreira e seu trabalho em competições de jogos eletrônicos

por Revista FHOX

Você já assistiu algum torneio de e-sports? Campeonatos de jogos eletrônicos já deixaram de ser uma promessa e são uma realidade, no Brasil inclusive. Arenas lotadas e fãs fervorosos como em qualquer final esportiva. E claro que eventos desse porte precisam de fotógrafos para registrar esses momentos. Para falar sobre isso, conversamos com Pedro Pavanato.

Atualmente Pavanato trabalha exclusivamente com a Riot Games, do jogo League of Legends. Fotografa o Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL) desde 2016, além de outros eventos da categoria, como o UniLoL 2017 (liga universitária) e o MSI (Mid-Season Invitational) 2017, realizado no Brasil e que juntou as maiores equipes do mundo.

Pedro Pavanato/Riot Games
INTZ E-Sports, campeão da Final da 1ª Etapa do CBLOL 2019

Para começar a entrevista, perguntei sobre seu início de carreira, na fotografia. Desde pequeno ele diz gostar muito de histórias e pessoas. Seu pai, um mix de designer, fotógrafo e jornalista e sempre foi sua maior referência . “A casa era cheia de poesias, quadros, esculturas e um baú de madeira amarela, lotado de fotos. Eu amava o cheiro que aquilo tinha e as imagens que estavam ali dentro, a maioria feita pelo meu pai, é guardada com muito cuidado, catalogada e organizada”.

Sua vida mudou as 17 anos, quando o pai faleceu e Pedro assumiu “O Alfinete”, semanário da cidade de Pirajuí, interior de São Paulo. Chegou sem saber muita coisa e foi aprendendo tudo na raça: pensar em pautas, escrever textos, editar e o que mais precisasse. Ao seu lado sua mãe, que cuidava da parte administrativa da publicação. “Foi uma das melhores fases da minha vida, pela inexperiência e pelos desafios que isso trazia, pela minha idade na época”.

PavanatoPedro Pavanato/Riot Games
Final da 2ª Etapa do CBLOL 2018

 

Levado pelos trabalhos no jornal, se formou em Design Gráfico. E nas aulas de fotografia seu interesse pela arte foi aumentando. Já formado e morando em São Paulo, usava o celular para fotografar lugares, pessoas e momentos. “Usava o Instagram, que ainda não era muito conhecido – e era uma plataforma para fotografia – para publicar essas fotos e vi que muita gente gostava. isso me ajudou neste ‘gás’ para fotografar mais”.

“Então, respondendo à sua pergunta, eu não sei quando foi meu começo na fotografia. A fotografia sempre esteve presente no meu crescimento pessoal e profissional. Eu acho que sempre fui fotógrafo, mas não me via como tal. O ‘se tornar’ fotógrafo, para mim, é apenas um título. A ideia de compartilhar imagens e histórias é o que vale. E isso eu sempre gostei de fazer, mesmo não sendo atrás de uma câmera”.

PavanatoPedro Pavanato/Riot Games
Show de abertuda da final da 2ª Etapa do CBLOL 2018, entre Kabum e Flamengo. Ao centro o rapper Emicida

E-sports

O começo nos e-sports também não foi nada programado. Pavanato conta que tudo começou quando estava em um casamento de um amigo, no interior de São Paulo. Lá reencontrou outro amigo, que na época trabalhava na Riot Games. Entre um assunto e outro, esse amigo falou sobre o League of Legends e comentou que eles precisavam de um fotógrafo.

“Para ser sincero, eu achei que era um projeto pequeno, algo que ele queria uma ‘ajuda’. eu não tinha ideia do tamanho que aquilo tinha. Marcamos uma data e fui conhecer o estúdio do LoL. Chegando lá, eu fiquei de cara: entrei num estúdio com câmeras, gruas, apresentadores, narradores, analistas, vários computadores e os jogadores. Demoraram alguns minutos até eu começar a entender o tamanho daquilo. Depois vendo os números de expectadores, o tamanho do cenário e a quantidade de profissionais envolvidos, me apaixonei pela vibe, das pessoas que estavam ali e dos fãs que existem em todo mundo”.

“Fiz muitos amigos e conheci um novo mundo, pois eu não tinha ideia que e-sports era o que é. Falando de amigos, o Foca, que até então era o único fotógrafo para o CBLoL, é uma referência para mim. Ele me ajudou muito no início, dando dicas do que fotografar, quais os momentos importantes (pois não conhecia nada do jogo) e como não ‘vazar’ na transmissão. Ele me “tankou” por muito tempo e hoje trabalhamos muito bem juntos”.

e-sportsPedro Pavanato/Riot Games
Time do Flamengo / Final da 1ª Etapa do CBLOL 2019

É dia de jogo!

Mas como é um dia de fotógrafo de e-sports? Perguntei para Pavanato se a grande quantidade de luzes e telas atrapalhava as fotos, mas pelo contrário, de acordo com ele isso até ajuda. No caso de League of Legends, a iluminação sempre se baseia em duas cores, vermelho e azul. E ela muda sempre, dependendo do que acontece na partida. Assim o fotógrafo, que geralmente fica a cargo registrar a torcida, pode explorar diversas possibilidades, do público em geral ou de algum torcedor específico.

Quanto a equipamentos, Pavanato não usa nada em especial. Por conta das mudanças de iluminação, ele gosta bastante do EVF de câmeras mirrorless, que ajuda ele a ter uma boa noção do que está fotografando, além do peso menor. Nos eventos, usa câmeras da linha X da Fuji com duas lentes, a 16-55 e 50-140mm, ambas f/2.8.

Pedro Pavanato/Riot Games
Final da 2ª etapa do CBLOL 2016

Na busca por melhores fotos, o fotógrafo explica que existem sim alguns momentos que merecem atenção especial. “A entrada dos fãs, interação com outros pró-players que não estão competindo naquele dia, as reações durante os objetivos do jogo e a quebra do Nexus. É como uma partida de esporte tradicional, com seus altos e baixos”.

Pelo formato do jogo, sempre têm alguma coisa acontecendo. Uma luta entre os times, uma disputa por um objetivo maior (o famoso “Barão”), brincadeiras entre amigos na plateia e mesmo abraços e beijos de casais. Pavanato explica: “O fato da torcida ser mista também ajuda muito, já que o clima é amigável e existem pessoas lado a lado passando por emoções completamente diferentes. e tem as crianças, que são um caso à parte: na platéia de LoL tem muitos pequenos torcedores, que vibram demais – e muitas vezes nem entendem tudo que está acontecendo – mas mostram a paixão que tem pelo jogo”.

e-sportsPedro Pavanato/Riot Games
Final da 1ª Etapa do CBLOL 2019

Pergunto então como é o mercado para quem quer começar nesse meio, na opinião de Pedro? Ele afirma que é um segmento que está crescendo. O Brasil tem jogadores em várias regiões e a cada evento que é chamado para cobrir, os ingressos se esgotam rapidamente.

“De 2016 para cá, o cenário cresceu muito. Os pro-players são muito conhecidos, estamos em canais de TV, Youtube e grandes sites de notícias de esportes. No LoL já fizemos eventos em grandes arenas, como Ibirapuera, Ópera de Arame, Mineirinho e Jeunesse Arena, no Rio. Todos de casa cheia e com a torcida cada vez mais engajada. Hoje no Brasil há diversos circuitos e campeonatos nacionais, de diversos jogos. Estamos encontrando nosso espaço em e-Sports e ajudando o cenário a se desenvolver, com certeza”.

Por fim, uma curiosidade interessante. Além de eventos de e-sports, Pedro faz fotografias de casamento. Indago ele se há muita diferença entre os estilos. “Eu acho que no meu tipo de fotografia o elemento central são as pessoas. O cenário pode mudar mas o que tento transmitir são as histórias e as emoções. Seja uma pessoa vibrando abraçada com um amigo por mais um título, a rotina dos paulistanos no metrô ou a emoção de um beijo rodeado por familiares e padrinhos, a função da fotografia é a eternizar aquele segundo de maneira fiel e impactante”.