Entrevistas 3 anos atrás | Leo Saldanha

Alexandre Urch e a metamorfose fotográfica ambulante

Embora exerça do fotojornalismo à publicidade, se apoiando nas redes sociais, ele se apresenta como fotógrafo autoral

por Revista FHOX
Alexandre Urch
Alexandre Urch

O paulistano Alexandre Urch (39) costuma dizer que a cidade é seu estúdio. São Paulo parece atender às suas demandas de projetos variados. Ganhou a última edição do Prêmio Leica Fotografe Melhor e tem suas obras na casa de famosos como Ronaldo, o Fenômeno e Luciano Huck. A fotografia de rua é sua linha preferida, mas não só. Ferramentas? Muitas. Desde a tradicional reflex, passando pelo smartphone, até experiências ousadas, como usar uma Mavica para gerar arquivos minúsculos em disquetes. Segmentos? Diversos, mas com uma maneira autoral de pensar.

No ano passado foi chamado pela LG para testar o G4 e acabou ministrando um curso sobre fotografia com o dispositivo no portal eduK. Entre convites das mais variadas empresas, eventos e instituições, Urch atrai quem percebeu seu poder de formador de opinião com quase cem mil seguidores no Instagram. Na conversa com FHOX (onde estreou recentemente um blog), ele fala de criatividade, dos desafios do ofício, das oportunidades e como vê a fotografia em suas inúmeras frentes.

FHOX – Qual foi o ponto de virada para ser fotógrafo em tempo integral?
Alexandre Urch –
2010. Passei oito anos atuando meio período, fotografando e trabalhando em laboratório [InstanColor]. Sempre estive na fotografia e na informática.

FHOX – Como foi ver as transformações na fotografia?
Urch – Sempre digo que todo fotógrafo que utilizou filme é melhor. Filme era caro, você tinha de mandar revelar. Então tinha de estudar luz, composição, tudo, para não gastar à toa. Você sabe que na hora do clique você pode subexpor ou superexpor uma foto, pensando no papel final que você vai dar a ela. Com o digital foi uma delícia, porque você não precisava mais esperar. E hoje ter tudo isso em um aparelho celular, sua cabeça explode. Porque todas as vertentes da fotografia têm uma coisa a agregar para mim. Uma técnica que Daguerre utilizava pode voltar num aplicativo de celular. Por isso é legal conhecer a fotografia a fundo, técnicas e depois fotografar.

FHOX – A impressão tem um valor muito grande para você?
Urch – Sim, uma parte da minha vida foi em laboratório. Trabalhei com Marcos Kim, que dominava o gerenciamento de cores. Olha, não precisa ser louco como eu de comprar um espectrofotômetro para ter em casa, calibrar o monitor toda semana, fazer perfil de cor. Mas conhecer o básico, pegar um livro de gerenciamento de cor, ou um site, te dá uma visão da fotografia diferente, porque na hora do clique você sabe o que terá no final.

FHOX – Como é o cenário para quem vive de fotografia autoral?
Urch – Hoje está bem pesado [risos], mas é o sonho de todo mundo. Você vê aquelas coisas lá da Amazônia: “Pô, eu queria passear pela Amazônia”. Todo mundo vê a foto pronta ali, mas não vê o trabalho que tem por trás. Se você quer ser um fotógrafo autoral estude fotógrafo de casamento, e se você quer ser fotógrafo de casamento estude os fotógrafos autorais. Uma coisa tem a agregar à outra. Só muda o que é, você não vai fotografar noivas, você vai fotografar passarinho na Amazônia. Mas o trabalho de marketing, de captação de dinheiro, é a mesma coisa. Você tem de conquistar as marcas para patrocinar seu livro, sua exposição, sua viagem. Como que você consegue isso? Como o fotógrafo de casamento consegue clientes? Mostrando trabalho, ou fazendo propaganda, é o mesmo princípio, e no final você tem que ter jogo de cintura. Você pode ter um caminho autoral, sem se desvencilhar do casamento. Você consegue vender as duas coisas. Mas hoje o mercado está saturado das mesmas imagens e isso é o mais difícil.

FHOX – Isso é uma coisa importante?
Urch – Sempre vejo “ah, nova galeria, nova loja de decoração”, porém, a mesma coisa que está aqui, está ali. Penso muito em São Paulo e falo “gente, tem tanto lugar para conhecer. Vocês ficam na Paulista. Vão para o Centro, para as ruas de trás, procurem outro ângulo, ousem”. Para mim, toda foto é vendável. Você vê no Instagram uma foto de um pé, tem gente que compra. Para todo mundo tem um nicho de mercado, só precisa achá-lo. É difícil, não vai acontecer do dia para noite. Seu produto precisa ser desejado. Olho muito para o segmento de casamento. Eles me dão ideias de como vender meu trabalho. Por exemplo, o Danilo Siqueira. Ele mostra sua melhor foto, sua melhor cor.

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