Entrevistas 8 meses atrás | Flávio A. Priori

Fotojornalismo e sua importância, com Pedro de Paula

Fotógrafo e jornalista fala sobre a área e sua participação no livro “O Melhor do Fotojornalismo 2018”

por Revista FHOX

O fotojornalismo é um campo bem específico dentro da fotografia. Além do momento, busca capturar todo o contexto que que culminou naquele instante. É uma descrição sem palavras de um ocorrido e depende muito de um olhar apurado do profissional. Não há como deixar para depois ou só fazer um rascunho do que está acontecendo.

Dentro dessa área o fotografo Pedro de Paula, 31 anos, recifense, atua a alguns anos. Trabalha para a agência de fotojornalismo independente Futura Press SP. Também atua como parceiro da Agência Estado e Folha Press e produziu fotos e matérias para a Revista Fórum de São Paulo em 2017. Conversamos com ele um sobre sua visão do fotojornalismo.

Fhox: Na sua carreira como fotógrafo, o fotojornalismo esteve desde o começo ou foi algo que você resolveu investir após algum tempo? Como foi seu começo na área?

Pedro de Paula: Comecei a trabalhar com fotografia em 2014, relativamente pouco tempo, e me formei em Fotografia no final de 2017. Mas o fotojornalismo sempre esteve presente, desde o início na minha carreira sempre foi meu foco. O começo foi difícil como imaginava: os jornais estavam em crise, alguns até fechando as portas e as agências independentes com um super inchaço de profissionais.

A minha “escola” no fotojornalismo sempre foi trabalhando com as agências e até hoje a intensidade e adrenalina do Hard News é como um combustível para realizar o trabalho. Mas não me limito a só essa área e faço eventos e ensaios também, além de atualmente trabalhar com fotografia na Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano da Prefeitura do Recife. Registrando a cidade em movimento e o seu cotidiano de uma forma documental como projeto futuro.

Ato a favor de Lula no Recife em agosto 2017

Fhox: O que o fotojornalismo é para você hoje? Como você o vê dentro do jornalismo em geral?

Pedro de Paula: É persistência sem dúvida! Tenho paixão pelo que eu faço. Não basta ter apenas uma câmera na mão, é preciso ter sensibilidade. Tentar por um pouco das suas experiências e ter um olhar que se proponha sempre a fazer uma narrativa visual daquele acontecimento. Tudo isso sabendo que um público variado terá um forma diferente de leitura imagética e de perspectiva. Sem falar dos vários fotógrafos na mesma pauta.

Atualmente vejo o fotojornalismo descreditado, com o mercado está cada vez mais digital e banalizado. Obviamente que o avanço da tecnologia é ótimo mas transformou o fotojornalismo em mais uma profissão desvalorizada. Vejo muitas imagens em péssima qualidade nos portais online e impressos pois os veículos não querem gastar enviando jornalistas para locais mais distantes. Especialmente quando podem ter imagens enviadas pelos leitores, são muitos celulares sendo sacados a todo instante para fazer fotos.

Marcha das vadias contra o feminicídio no Recife em maio 2017

Por outro lado esse cenário fez as agências comprarem um volume maior de fotos. Os valores são poucos, mas ajuda. Assim, acredito que é possível fazer uma boa carreira para quem se dispor a sempre estar estudando a fotografia e pondo em prática o  que aprendeu, seja em cursos livres, profissionalizantes, superiores e no dia a dia, pois tudo se renova e se ajusta aos avanços.

Fhox: No fotojornalismo, as vezes um momento é tudo entre uma boa foto ou não. Há alguma preparação especial antes ou durante uma cobertura? Ou simplesmente acontece?

Pedro de Paula:  Nas pautas mais quentes nem sempre dá para se preparar direito, mas o que considero mais importante é a segurança. O que é bastante comum nesse tipo de trabalho é procurar fazer rapidamente um raio-x do ambiente. Ficar numa posição que me dê a possibilidade de estar na linha de frente, sentindo o momento e também em rotas de atalho.

Em protestos geralmente podem ocorrer conflitos e é preciso saber os caminhos para chegar antes e até rotas de fuga quando necessário. Por último, estou sempre fotografando e tirando o olho do visor vendo o que está acontecendo ao redor, para não me distrair e ser surpreendido. Assim as imagens vão surgindo naturalmente.

Durante ato ‘ele não’ organizado pelo movimento ‘mulheres contra Bolsonaro’ ocorre uma provocação entre manifestantes

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Fhox: Dentro das suas coberturas quais aquelas que te marcaram mais, seja pelo trabalho que deram ou pela repercussão gerada?

Pedro de Paula: Por ser minha primeira grande pauta, a morte do então candidato à presidência da república Eduardo Campos e toda a dimensão do acontecimento. O cortejo e toda aquela multidão nas ruas do centro do Recife até o cemitério. Outra pauta importante foi sobre o surto dos casos de crianças com microcefalia, pela sensibilidade do assunto.

A espera da chegada dos restos mortais de Eduardo Campos no palácio em agosto de 2014

Fhox: Nos conte um pouco sobre sua participação no livro “O Melhor do Fotojornalismo 2018”. No que a foto da Robeyoncé foi importante nesse projeto?

Pedro de Paula: Muita satisfação participar da décima edição do livro ” O melhor do fotojornalismo brasileiro”, uma referência em homenagear repórteres fotográficos do país. A edição apresenta as fotos que marcaram 2017. Nela está o registro da primeira advogada transexual do norte e nordeste Robeyoncé Lima, na sede da OAB Pernambuco.

Robeyoncé Lima

A matéria, também assinada por mim, foi feita para a Revista Fórum de São Paulo e contribuiu servindo de motivação para um maior reconhecimento à visibilidade trans. Agradeço o convite feito pelo diretor de redação do livro, Sérgio Branco e por estar entre os escolhidos como um dos destaques do ano. Vida longa ao fotojornalismo!

Conheça mais sobre Pedro de Paula em suas redes sociais: Site pessoal | Instagram