Entrevistas 10 meses atrás | Redação

Missão: desenvolver o mercado brasileiro

FHOX conversou com Kenichiro Hibi, novo presidente da Sony no Brasil, para falar do mercado e expectativas da marca no País

por Revista FHOX
Kenichiro Hibi confia no poder que a marca tem no Brasil. Para ele o mercado é grande e a Sony tem tecnologia de ponta para atender as demandas. Foto: Leo Saldanha

Texto por: Leo Saldanha e Mozart Mesquita | Fotos: Divulgação Sony

Kenichiro Hibi (51) é o novo presidente da Sony do Brasil. Ele chegou ao país na mesma época da Feira Fotografar 2018, em abril passado. Com larga experiência na marca, Hibi entrou na Sony em 1989 e passou pelo marketing da empresa em Tóquio para depois trabalhar nas filiais do México, Rússia, Índia e Estados Unidos. FHOX conversou com Hibi sobre o ótimo momento da marca na fotografia. Já que a Sony assumiu a liderança em full-frame em vários mercados. Inclusive nos Estados Unidos e alguns países da Europa e da Ásia.

FHOX – Poderia contar um pouco sobre sua experiência na Sony?

Kenichiro Hibi – Entrei na Sony no Japão em 1989. Primeiro trabalhei por três anos no marketing internacional em Tóquio. Minha primeira experiência fora do Japão foi a Sony México onde fiquei por cinco anos, de 1993 até 1998 e aprendi espanhol. Depois passei pela Sony Rússia em Moscou. Uma mudança bem grande, dinâmica. Fiquei outros três anos lá, de 1998 até 2001. Em seguida fui para Miami nos EUA, onde fui responsável pela América Latina e a área de negócios diretos. Também três anos. Comecei lá a venda on-line (e-commerce da Sony). Naquele momento estávamos expandindo com as lojas exclusivas da marca: a Sony Store. Por conta dessas lojas e também para cuidar de vendas on-line vim muitas vezes ao Brasil. Fiquei no total 10 anos fora do Japão, para onde voltei em 2003 e fiquei até 2005. No primeiro ano fiquei na área de Digital Imaging que envolve as câmeras. Não sou engenheiro, mas ando com eles. O fato é que as câmeras fotográficas envolvem a mais alta tecnologia. Mesmo no marketing tínhamos que entender a superioridade da nossa tecnologia. Eu entendi junto com os engenheiros todas as questões de desenvolvimento das câmeras e dos sensores. Depois de passar um ano e meio na área de câmeras e Digital Imaging fui para a divisão de tevês, fazer o marketing da linha Bravia. Criei e desenvolvi Bravia na Sony. A Bravia é como se fosse meu bebê. Fiquei dois anos nessa divisão no Japão. Então, em 2006 voltei para a Rússia dessa vez como presidente da Sony Rússia e os antigos países da União Soviética. Fiquei por lá por seis anos e meio. Aprendi russo. Ao todo foram nove anos na Rússia. Em 2012 saí de lá para a Índia. Uma grande mudança. Na Rússia no inverno fazia menos 40 graus e na índia eram 40 graus positivos. Estou fora do Japão faz quase 24 anos. Agora não sei tanto sobre o Japão (risos).

Foto: Sony do Brasil

FHOX – Qual é a avaliação até agora aqui no Brasil?

Hibi – Vi diferentes características no país em diferentes cidades e regiões que estive. Como Salvador e Recife, que são totalmente diferentes de Porto Alegre e Caxias (do Sul) cidades bem frias. Semana passada fui a Mato Grosso. Encontrei muita diversidade nesse país. Vemos muitas oportunidades aqui. Foram três anos difíceis. Depois das Olimpíadas e Copa do Mundo e com a recessão. Mas desde o ano passado começou a melhorar. Agora, todos esperam a eleição terminar bem. Qualquer candidato que vença, espero que a economia brasileira se estabilize. O mais importante é o agora. Temos que estar preparados. Porque depois que a situação melhorou é tarde demais. Temos muitos projetos para fazer o negócio crescer em 2019 e 2020.

FHOX – Sony é líder em mirrorless full frame em várias partes do mundo. Poderia falar um pouco sobre isso e se mirrorless será o principal sistema daqui para frente?

Hibi – Sim. Somos fortes em mirrorless full-frame. Nós pegamos a primeira posição nessa categoria nos EUA. Mesmo em muitos países europeus também assumimos a primeira posição. Também na Ásia, em Cingapura e Hong Kong estamos em primeiro. Nosso foco é nas câmeras premium. Que é justamente mirrorless full-frame. Existem muitas marcas fortes no mercado. Marcas japonesas fortes. Nesse formato mirrorless é uma tecnologia única. Existe um diferencial e vantagens em comparação com as outras câmeras. Estou 100% confiante que sim: mirrorless será dominante. Mesmo Canon e Nikon começaram a lançar equipamentos mirrorless. Por que eles são dominantes no mercado (com DSLR) e eles podem continuar sendo fortes. Contudo, com essa nova categoria eles reconheceram o potencial das mirrorless. Ou eles não teriam enfoque nessas câmeras. Por que estão lançando câmeras mirrorless full-frame?

FHOX – A Sony será líder nessa categoria aqui no Brasil?

Hibi – Esse é o nosso alvo. Temos muito que fazer ainda. O mercado é grande. Temos tecnologia de ponta, e a marca Sony é reconhecida e muito forte entre os brasileiros. Creio que combinando estratégia de marketing e crescimento do mercado, estou confiante que podemos ter uma boa posição.

Sony alcançou a liderança em vários mercados importantes como os Estados Unidos e também em partes da Europa. A aposta em mirrorless full-frame e avanço com videomakers fazendo a diferença

FHOX – Qual sua posição para a Sony em relação a 2019?

Hibi – Queremos oferecer mais experiências para os consumidores. Que as pessoas possam tocar e sentir os equipamentos. O mais importante é chegar ao consumidor e que ele possa fotografar e testar. Sem experimentar eles não conseguem reconhecer nossa tecnologia. Nosso foco é fazer mais para ir ao mercado.

FHOX – A Sony vai olhar mais para câmeras de entrada?

Hibi – Temos as câmeras com sensor APS-C como a A6000 e A6300 e A6500, muito apreciadas. Mas sabemos que as câmeras profissionais são full-frame. Penso que o APS-C é importante. Queremos focar em dar mais prazer com essas câmeras. Porque muitos brasileiros estão deixando a câmera de lado por conta dos smartphones. Pois pensam que não precisam de câmera já que o smartphone seria suficiente, por pode levar para qualquer lugar. Quando começarem a usar APS-C e full-frame vão entender o que é qualidade e a diferença, que é muito superior. Ultimamente os usuários querem poder enviar as fotos para o smartphone com qualidade para o Instagram. Eles estão muito interessados em poder criar fotos melhores. E eles podem levar nossas câmeras porque elas são bem compactas. Essa demanda cresce no mundo todo. Nos Estados Unidos e na Ásia. E no Japão ocorre algo curioso. Muitas mulheres jovens querendo usar mirrorless full-frame. Normalmente o apelo era masculino. Mesmo newborn que é bem específico por aqui. Na Índia é muito forte casamento, lá ocorrem as maiores festas. Fiquei surpreso com a demanda newborn por aqui. E a maior parte é de fotógrafas mulheres nesse mercado. Para esse mercado nossa câmera atende muito bem. Pois é boa de segurar, com qualidade e garante excelentes fotos, sem barulho porque é digital e mirrorless. É tecnologia que faz a diferença porque somos digitais. Enquanto Nikon e Canon têm espelhos e são analógicos. O espelho precisa abrir e fechar toda hora. Com mirrorless isso não é necessário e nossa tecnologia é diferente.

FHOX – Qual a sua visão sobre o potencial do mercado brasileiro?

Hibi  – É gigantesco porque são mais de 200 milhões de pessoas, sendo que muitas não sabem das câmeras e do que elas podem fazer. Nós temos que agir para chegar ao mercado. Não é só uma questão de fotografar, mas de conseguir uma foto melhor. Assim creio que eles passarão a investir em modelos melhores. Outra área que acredito que vai crescer é vídeo. Um dos motivos é o YouTube. Mais e mais pessoas querem postar no YouTube. Acredito que os brasileiros gostam muito do YouTube e dos YouTubers. Eles gostam de poder fazer vídeos com qualidade melhor e poder subir esses conteúdos de forma fácil. Agora com os modelos APS-C eles podem tanto fotografar quanto filmar. Tirar frames dos vídeos e subir tudo. Vemos essa demanda com um grande potencial: mais pessoas fotografando e filmando ao mesmo tempo.

FHOX – O que veremos como tendência daqui para frente é mais qualidade de imagem?

Hibi – Sim. São três fatores fundamentais: resolução, sensibilidade (ISO) e velocidade do obturador. São esses três elementos cruciais para criar fotografias melhores. Não podemos comprometer nenhum desses itens. Temos coisas que os olhos não conseguem ver, mas a câmera consegue. A A9 tem a velocidade de obturador mais rápida do mercado.

FHOX-  Muitos leitores da FHOX são donos de lojas e vendem câmeras. O que o senhor teria para dizer a eles?

Hibi – Nós queremos muito desenvolver o mercado. Mas sem parceria não teremos como fazer acontecer. Nós tínhamos antes nossa loja própria e agora não mais. A maior parte dos consumidores vai às lojas de foto e varejo. Existem as lojas de eletrônicos como Casas Bahia, Magazine Luiza e outros. Eles conseguem vender bem telas de LCD, mas câmeras eles não sabem vender. Porque o consumidor de um produto e outro são diferentes. O consumidor de fotografia gosta de conversar e ser atendido pelo dono da loja de fotografia. Para falar de fotografia e tomar a decisão de que marca investir. O dono ou quem atua na loja diz que usa e conhece, ele é um influenciador muito importante Temos que mostrar e convencer os donos de loja e fotoespecialistas a se tornar fãs da marca Sony. Eles são nossos alvos.

A marca acaba de receber um importante prêmio de um dos melhores sites de fotografia do mundo. DPReview

FHOX – Sony é líder na venda de sensores tanto para câmeras como para smartphones. Então vai bem de qualquer forma o negócio mesmo com a venda de dispositivos móveis?

Hibi – Temos 30% de participação em sensores mundialmente. Muitas câmeras dos competidores usam sensor Sony.

FHOX – O senhor poderia falar sobre inteligência artificial?

Hibi – Inteligência artificial é uma tecnologia importante. Existe um foco forte do mercado nisso e em realidade aumentada e virtual. Google, Amazon e outras empresas grandes estão de olho. O que se pode esperar é a integração nas câmeras da inteligência artificial. Pois IA basicamente aprende com o uso e o comportamento de quem fotografa. IA reconhece as pessoas, cenários e as características de ajustes e se adapta aos usos do fotógrafo ou entusiasta. Não sou engenheiro, mas creio que diversos produtos que estamos desenvolvendo e que não posso comentar agora poderão ter essa integração no futuro.

FHOX – Quais são os grandes desafios para a Sony atuar no Brasil?

Hibi – O sistema fiscal e parte contábil são difíceis. Muito complicado. Deveria existir outra forma de resolver e melhorar isso. Tive experiência na Rússia, Índia, Brasil. Todos os países muito difíceis. Infelizmente enfrentamos muitas crises em todos esses países. Tenho muita experiência com isso. Como já mencionei antes. Existem momentos e ciclos. Às vezes vai cair a economia, isso quer dizer que uma hora vai subir. Nunca em minha trajetória só vi a economia caindo. Isso é economia. Sempre penso em como crescer e rápido. Mesmo quando tudo está bem temos que estar preparados. Porque uma hora vai cair. Temos que estar sempre um passo na frente. Agora o PIB está estagnado com novas projeções de queda de 1.5 para baixo. Uma hora vai melhorar e precisamos estar preparados e tomar uma atitude rápida. Por isso sempre estou só falando de coisas positivas. Até porque estão acontecendo muitas coisas negativas lá fora, mas temos que olhar para o que vem pela frente.

Estande da Sony na Feira Fotografar. A fabricante de câmeras está cada vez mais presente no mercado fotográfico

FHOX – O CEO mundial da Sony (Kazuo Hirai) disse em 2016 que a tendência era de crescer a foto analógica e o vinil. O senhor acredita que as pessoas querem mesmo tocar e sentir as coisas?

Hibi – Acredito que sim. Estamos virando cada vez mais digitais. Meu filho não gosta de escrever no papel, só no smartphone. Mas ao mesmo tempo vejo o retorno de tecnologias. O vinil está vendendo bem de novo. Nós da Sony paramos de produzir vitrolas para vinil 20 anos atrás e agora voltamos a fazê-las. Pois existe demanda. Porque o analógico é muito bom para essas pessoas. O som é suave e mais divertido. A tecnologia sempre vai evoluir e não teremos isso dominando de novo, contudo a demanda das pessoas nem sempre é só digital. Algumas vezes gostamos da nostalgia. Eu gosto do analógico. Muitas pessoas lendo artigos e matérias na internet. Poucas lendo o jornal impresso, mas eu ainda prefiro ler o jornal no papel. Não existe uma explicação. Eu gosto. Isso não quer dizer que vamos deixar de lado o digital. Na verdade, vamos olhar para o analógico e digital e desenvolver as duas frentes. O analógico nos deu uma percepção do que pode ser sentido e isso é importante no marketing também.

 FHOX – O quanto é importante para a Sony a área de fotografia?

Hibi – Chamamos dentro da Sony, de Digital Imaging. É uma das categorias core. Nela desenvolvemos a parte de sensores de imagem. Somos donos de uma das partes mais importantes para os negócios de eletrônicos na indústria. Claro, é importante desenvolver a parte de câmeras, mas não só isso. Sony com essa divisão de sensores de imagem acaba atendendo smartphones e outros fabricantes de câmeras. É muito importante e lucrativo para o negócio da Sony. Quanto ao negócio de câmeras da Sony, o momento é bom, um dos melhores. Porque hoje temos o melhor line up (de câmeras) do mercado. Antes talvez estivéssemos agindo de forma errada. Agora é a melhor câmera disponível para o fotógrafo no mercado fotográfico. Esse é o melhor momento para colher os frutos e desenvolver o ramo. Vamos continuar investindo para melhorar e aprimorar a tecnologia de imagem e das câmeras.

Saiba mais: Sony Mirrorless

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