Variedades 1 mês atrás | Thalita Monte Santo

Dia internacional da fotografia: um breve dossiê da história

Apesar de toda a evolução desses 180 anos, o princípio básico da fotografia ainda continua sendo o mesmo

por Revista FHOX

Neste 19 de agosto de 2019, a fotografia completa 180 anos. Mas estudiosos apontam que ela pode ter muito mais do que isso de idade. Essa data é oficialmente comemorada desde que o governo francês a reconheceu, em 1839 .  

Esse reconhecimento, até hoje, abre discussões sobre quem foi o verdadeiro  precursor da fotografia no mundo, pois, por volta do ano 1793, Joseph Nicephore Niepce foi uma das primeiras pessoas a conseguir imprimir a luz em uma superfície sem usar qualquer tipo de tinta. No entanto as imagens desapareceram depois de um tempo. 

Niepce usava uma câmara obscura, parecida com o que conhecemos hoje por pinhole, além de um tipo especial de papel com cloreto de prata. Logo mais tarde, em 1824 ele encontrou um método que permitia uma duração maior das capturas e, em 1826, foi registrada a primeira fotografia de duração indefinida, que existe até hoje. 

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Joseph Nicéphore Niepce

Já em 1834, Henry Fox Talbot criou uma versão bem primária do que posteriormente se tornou o negativo fotográfico, que possibilitou a fotografia se tornar mais popular nos anos seguintes. Mas só em 1849 Louis Daguerre trouxe a arte, que era até então totalmente experimental e complexa, a um novo patamar.

Daguerre queria levar a fotografia para mais pessoas e começou a estudar os métodos de Niepce para criar uma forma de criar um mecanismo que até os leigos pudessem utilizar em casa para capturar momentos especiais.

Ele recebeu apoio do governo francês e disponibilizou todo o seu trabalho de forma pública para pesquisa. Com essa parceria nasceu o daguerreótipo, uma espécie de máquina fotográfica, que se tornou o primeiro método de captura de imagens comercializado em escala. Um marco para o início da era da fotografia no mundo todo.

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Mas como funcionava? Os daguerreótipos fixavam a imagem em uma placa rígida e espelhada. Era preciso guardá-la com cuidado, pois era extremamente frágil e delicada. Você sabia que uma das mais famosas imagens capturadas naquela época com a técnica é uma imagem de Edgar Allan Poe? Ela segue preservada até os dias de hoje.

A evolução da fotografia comercial

Não há como negar que Daguerre deu o pontapé inicial para o que hoje classificamos como popularização da fotografia, pois depois dele outros pesquisadores e inventores usaram seus métodos para tentar aperfeiçoar ainda mais as maneiras de capturar imagens. 

Alguns dos nomes importantes na evolução da fotografia, mas que pouco são citados, fazem parte da trajetória da evolução fotográfica. 

Entre eles estão: Frederick Scott Archer, que melhorou a resolução das imagens usando emulsão de colódio úmida e barateou o custo de produção de cada fotografia; Félix Nadar, o primeiro fotógrafo a capturar imagens aéreas e um dos primeiros donos de estúdio de retratos; Adolphe Disderi, criou um método de captura e impressão (Carte-de-visite) que barateava os custos de impressão e foi um dos responsáveis pelo sucesso mundial da fotografia de retrato; Mathew Brady, que juntou uma equipe para, pela primeira vez, fotografar cenas de guerra. Aproximadamente 7000 negativos da Guerra Civil foram feitos entre 1861 e 1865; Ducos du Hauron, pesquisador francês e pioneiro nas técnicas de fotografia colorida. Publicou um dos primeiros livros sobre o assunto; e Richard Leach Maddox, que inventou o método de fixação das imagens usando uma suspensão gelatinosa, que substituiria a emulsão de colódio úmida, criando as primeiras chapas secas, que tornaram o processo de revelação mais simples.

Depois da criação de Maddox, a comercialização de negativos e a revelação de fotografias acabaram tornando-se bem mais acessíveis, o que foi vital para o crescimento do mercado e a expansão dessa forma de arte pelo mundo.

Os irmãos Lumière e a fotografia

Há quem cite a importância deles apenas para o cinema, mas na história da fotografia também possuem seu valor. Foram os irmãos Lumière que inventaram os autocromos coloridos, patenteados em 1903 e que foram o principal método de captura de imagens coloridas até surgirem os primeiros filmes a cores para as câmeras.

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(fotógrafo não identificado)

O processo de captura dos autocromos era bem trabalhoso e envolvia placas rígidas de vidro com uma solução de fécula de batata e outros componentes químicos. Os cromos não eram como as fotografias reveladas no papel — para vê-los, era preciso usar uma fonte de iluminação traseira.

Se tornaram bem populares entre fotógrafos e entusiastas, porém o alto custo e as dificuldades de uso e manutenção eram grandes impedimentos dessa arte de modo comercial. Mesmo assim, centenas de imagens foram produzidas através desse método e impressionam até hoje pela resolução e pela qualidade das cores.

Só em 1935 a Kodak lançou os Kodachromes, um tipo de filme diapositivo que permitia tirar fotos coloridas com as câmeras da marca. Porém, o processo de revelação ainda era complexo. Menos de 25 laboratórios no mundo inteiro possuíam a tecnologia necessária para isso. Em 2009, a Kodak deixou de fabricar os Kodachromes.

fotografiaCrédito da foto: História Secreta

A consolidação da fotografia colorida no mercado 

A companhia alemã Agfa lançou, em 1936, o Agfacolor Neu, um filme colorido que, pela primeira vez na história, podia ser revelado em qualquer laboratório. Todos os filmes coloridos produzidos posteriormente (até os dias de hoje) usam este método de captura.

No entanto, nos Estados Unidos e na Europa, a fotografia em preto e branco continuou sendo majoritariamente usada até meados dos anos 60, devido aos altos preços dos filmes a cores. Já a partir dos anos 70, a maior parte das fotografias tiradas já eram coloridas e a fotografia já não era mais uma tecnologia de elite — praticamente qualquer pessoa podia ter uma câmera em casa.

A era digital da fotografia

Entre as mudanças mais significativas que aconteceram na fotografia está a do analógico para o digital. A primeira câmera com essa tecnologia foi criada em em 1975 por Steve Sasson, engenheiro elétrico da Kodak. Mas só foi patenteada em 1976. 

O equipamento integrava dispositivos analógicos e digitais. Era possível capturar imagens em 100 linhas, em preto e branco, e levava cerca de 23 segundos para realizar o procedimento. As imagens ficavam gravadas em uma fita cassete com a ajuda de um sensor CCD. 

A introdução do digital no mercado aconteceu, oficialmente, em 1981, com o lançamento do primeiro equipamento digital da Sony, o modelo Mavica. Essa câmera capturava imagens de 0,3 megapixels e custava cerca de US$ 12 mil. Outra característica digital dela era o armazenamento de até 50 fotos em disquete próprio da marca. Alguns especialistas caracterizam a Mavica como uma câmera de TV que congela as imagens. Já em 1988, a Sony lançou as Mavicas C1 e A10 Sound Mavica. 

Por volta de 1990 a Kodak lançou a DCS 100. Ela era baseada na então vendida Nikon F3 com SLR e componentes digitais. No entanto, seu alto custo fez com que não fizesse muito sucesso na época. Em 1999 a Nikon lançou a  Nikon D1, uma câmera fotográfica reflex digital (DSLR). Ela tinha um sensor de 2.7 megapixels. O corpo da câmera era semelhante ao da analógica F5, o que permitiu uma rápida adaptação dos fotógrafos.

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Kodak DCS 100 Pro Digital Camera (1991) – foto: Maoby

No ano 2000 a Canon lançou a EOS D30, com um sensor de 8.2 megapixels, que se destacou por ter um corpo pequeno, leve e modo automático, o que a ajudou a expandir a utilização da fotografia digital a fotógrafos amadores.

Já em 2006 a Nikon deixou de fabricar a maioria dos modelos de câmeras fotográficas analógicas e focou apenas no desenvolvimento de sistemas fotográficos digitais. Hoje, já é quase impossível comprar um celular sem câmera acoplada e que permita que as imagens sejam publicadas instantaneamente, sem a necessidade de revelação. 

Isso também levantou diversas discussões sobre o modo de se fazer fotografia e se todo indivíduo com um equipamento, capaz de registrar imagens, é, de fato, um fotógrafo. 

O que faz a fotografia valer a pena 

Apesar de toda a evolução desses 180 anos, o princípio básico da fotografia ainda continua sendo o mesmo: o registro da cena através da luz. Seja ela absorvida por uma superfície (cromos, papéis e filtros), ou passando por uma super lente ou sensor. Capturar o que o fotógrafo está vendo ainda é o que faz toda essa história valer a pena.